Preço por quilo na sua loja: como calcular com a quebra
Descubra quanto cobrar no quilo do que sua loja vende na balança, com a quebra e as despesas embutidas no preço, usando a calculadora com os seus números.

Neste artigo
A peça entrou a R$ 22,00 o quilo, o açougueiro desossou, e no balcão sobraram 78% do peso. Se a etiqueta foi feita sobre os R$ 22,00, cada quilo vendido carrega osso e apara que ninguém pagou. O preço por quilo da sua loja começa por aí: o quilo que você compra não é o quilo que você vende.
Por que o quilo da balança se precifica diferente
Na venda por unidade, o custo fica parado: a caneta que entrou por R$ 2,00 sai do estoque custando R$ 2,00. Na venda por peso, parte do que você comprou some antes de chegar à balança. A peça perde osso na desossa, a banana amadurece demais, o grão deixa resíduo no fundo do saco.
Se o preço do quilo não carrega essa perda, cada pesagem vende um pouco de prejuízo. É a lógica do custo real do produto, aplicada ao que passa pela balança.
A margem que a nota do fornecedor mostra
Quebra e rendimento: o quilo comprado não é o quilo vendido
Quebra é a parte do peso comprado que não vira venda. Rendimento é o complemento: se a quebra é 20%, o rendimento é 80%. A conta que corrige o custo vale para qualquer produto vendido a peso:
Custo real do kg vendável = custo do kg na compra ÷ (1 − quebra ÷ 100)
Cada tipo de venda por peso perde em um lugar diferente. Saber onde a sua loja perde é o primeiro passo para começar a medir.
| Operação | De onde vem a quebra | Como medir na loja |
|---|---|---|
| Açougue | Osso, sebo e apara na desossa; perda de líquido na câmara fria | Pese a peça inteira na entrada e some o peso dos cortes vendáveis na saída da desossa |
| Hortifruti | Maturação, avaria no manuseio, produto fora do padrão de banca | Registre toda saída que não é venda (descarte, doação) por produto, em kg, todo dia |
| Granel (grãos, castanhas, temperos) | Resíduo no fundo da embalagem, umidade, degustação, sobra na pá | Compare o peso comprado no período com o peso somado das vendas na balança |
| Frios e laticínios fatiados | Casca, ponta da peça e primeira fatia; perda de vácuo | Pese a peça antes de abrir e some as fatias vendidas até o fim dela |
Não existe percentual universal: a quebra depende do fornecedor, do manuseio e do giro da sua loja. Ela precisa ser medida, não chutada. Duas semanas anotando entrada e saída em kg por produto já valem mais que qualquer média. Os registros cabem na rotina de controle de estoque que a loja já tem.
Custo real do quilo vendável: o exemplo do açougue
Digamos que a peça bovina entrou a R$ 22,00 o quilo e que, entre osso, sebo e apara, 22% do peso não virou corte vendável. O custo real do quilo que chega ao balcão sai assim:
- 1Rendimento da peça: 100% − 22% de quebra = 78% (0,78).
- 2Custo real do kg vendável: R$ 22,00 ÷ 0,78 = R$ 28,21.
- 3Cada quilo exposto no balcão custou R$ 28,21, e não os R$ 22,00 da nota.
Os R$ 6,21 de diferença são o osso e a apara pagos junto com a carne. Quem põe margem sobre os R$ 22,00 trabalha, na prática, com margem bem menor ou negativa. E a conta muda por corte, porque cada um rende diferente. A rotina completa está no controle de estoque do açougue.
Planilha para medir a quebra da sua peça
Os 22% do exemplo são um número redondo para ensinar a conta. O da sua loja só aparece pesando a peça na entrada e os cortes na saída, por duas semanas. A planilha abaixo faz esse registro e devolve o rendimento e o custo real do quilo por peça, pronto para a calculadora.
Do custo real ao preço da etiqueta
Com o custo real na mão, o preço do quilo sai pelo mesmo markup divisor do preço de venda por unidade. Além do custo, ele precisa cobrir o que incide sobre a venda (imposto, taxa de cartão, comissão) e ainda deixar a margem que você quer.
Preço por kg = custo real do kg vendável ÷ (1 − (despesas% + margem%) ÷ 100)
Exemplo com o tomate do hortifruti: compra a R$ 5,00/kg, quebra medida de 12%, despesas de 10% e margem de 30%. Custo real: R$ 5,00 ÷ 0,88 = R$ 5,68. Preço: R$ 5,68 ÷ 0,60 = R$ 9,47 por quilo, dos quais R$ 2,84 são lucro de verdade.
Se a loja tivesse feito a conta sobre a nota (R$ 5,00 ÷ 0,60 = R$ 8,33), estaria cobrando R$ 1,14 a menos por quilo achando que tinha a mesma margem.
Calcule o preço por quilo dos seus produtos
Coloque o custo do quilo na nota, a quebra que você mediu e a margem que quer. A calculadora devolve o custo real do quilo vendável e o preço de venda por kg, com a conta aberta para você conferir.
Erros que derrubam a margem na venda por peso
- Precificar pelo peso da nota, ignorando quebra e rendimento. É invisível no dia a dia e pesado no fim do mês.
- Usar a mesma quebra para tudo: folhagem, fruta e mercearia perdem de jeitos diferentes. Meça por produto ou por categoria.
- Esquecer as despesas da venda: taxa de cartão e imposto saem do preço. Se não entram na fórmula, saem da margem.
- Margem sobre o custo em vez de sobre o preço: "50% em cima do custo" não é 50% de margem.
- Não reajustar quando o fornecedor sobe: em produto de peso o custo muda toda semana, e a etiqueta fica para trás.
- Balança sem verificação: balança de comércio segue a metrologia legal do Inmetro e precisa de verificação periódica. Descalibrada, ela erra o peso e o faturamento junto.
Como o sistema sustenta o preço do quilo
Fazer a conta uma vez é fácil. Difícil é sustentá-la com dezenas de produtos, custo mudando toda semana e balança pesando o dia inteiro. Com a balança integrada ao PDV, o peso exato de cada venda entra no sistema e o estoque baixa em quilos.
Quando o custo de reposição sobe, o sistema aponta os itens cujo preço ficou defasado, em vez de você descobrir no fechamento do mês. Em açougue, onde cada corte tem rendimento próprio, é isso que mantém a margem por corte à vista.
Meça a quebra por 2 semanas antes de mexer nos preços
Perguntas frequentes sobre preço por quilo
Com que frequência reajustar o preço do quilo?
Sempre que o custo de reposição mudar. Em hortifruti e carne isso costuma ser semanal, então vale conferir a cada nova compra antes de atualizar a etiqueta.
Qual a diferença entre rendimento e quebra?
São a mesma informação vista de lados opostos. Se a peça gera 78% de cortes vendáveis, o rendimento é 78% e a quebra é 22%. Na fórmula, o rendimento é o divisor do custo.
Devo usar a mesma margem para todos os produtos vendidos por peso?
Não. Item de atração pode ter margem menor, compensada nos demais, e produto com quebra alta pede atenção redobrada. Calcule o custo real de cada um e decida a margem olhando concorrência e papel do item na loja.
Comece pelo produto que mais vende na balança: pese na entrada, some o que sai e descubra a quebra dele. Com esse número, refaça o preço na calculadora e compare com a etiqueta de hoje. Depois, um sistema com balança integrada mantém essa conta atualizada sem você refazer à mão.
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