Estoque

Como precificar roupas para revenda: passo a passo em 6 etapas (2026)

Veja a conta completa, do custo real da peça ao preço mínimo de liquidação, com uma tabela de exemplo e a planilha para precificar a coleção inteira.

Equipe VendaSimples 8 min de leitura Atualizado em 27 de outubro de 2026
Lojista calculando o preço de venda de roupas em uma arara de loja de moda
Neste artigo

Chegou a caixa do fornecedor: a blusa veio a R$ 40 na nota, e a tentação é dobrar e pôr R$ 80 na etiqueta. Só que frete, imposto, taxa de cartão e a peça que encalha não aparecem nessa conta. Precificar roupas para revenda é partir do custo real da peça e usar o markup divisor, para a margem sair inteira. A conta está abaixo, com calculadora e planilha.

Qual a margem de lucro ideal para roupas?

No varejo de moda, a margem de lucro líquida saudável costuma ficar na faixa de 10% a 20% sobre o preço de venda, com markup entre 2 e 3 vezes o custo da peça (o famoso "dobrar" é o piso, não a regra). Peça básica de giro rápido trabalha com margem menor e volume; peça de coleção, acessório e produto exclusivo aceitam margem maior. Mais importante que perseguir um número mágico é conhecer o custo real de cada peça e definir a margem por categoria, de forma consciente. É isso que as etapas abaixo constroem.

Etapa 1: calcule o custo real da peça (não é o valor da nota)

O custo de uma blusa não é o que está na nota do fornecedor. É a nota mais o frete rateado por peça, o imposto de entrada quando existe, a embalagem, a etiqueta e a perda média (peça com defeito, manchada no provador, furto). Uma blusa de R$ 40 na nota facilmente custa R$ 45 na arara. Se você precifica sobre os R$ 40, sua margem já nasceu 12% menor do que você pensa. O guia do custo real do produto mostra essa conta em detalhe, com calculadora própria.

Etapa 2: some as despesas que incidem sobre a venda

Além do custo da peça, cada venda carrega despesas proporcionais ao preço: imposto sobre a venda (no Simples Nacional, a alíquota da sua faixa), taxa de cartão (débito, crédito e parcelado têm taxas diferentes; use a média ponderada da sua loja) e comissão de vendedora, quando existe. Somadas, essas despesas variáveis costumam ficar entre 10% e 20% do preço em uma loja de roupas. Esse percentual entra dentro da fórmula, não depois dela.

Etapa 3: use o markup divisor (o erro clássico é multiplicar)

Aqui mora o erro mais comum da precificação de roupas. Multiplicar o custo por um markup e "embutir" a margem por cima não garante a margem que você planejou, porque imposto, cartão e comissão incidem sobre o preço de venda, não sobre o custo. A fórmula que fecha a conta é o markup divisor:

Fórmula do preço de venda

Preço = custo real da peça ÷ (1 − (despesas% + margem%) ÷ 100). Exemplo: blusa com custo real de R$ 45, despesas de venda de 15% e margem desejada de 20%: preço = 45 ÷ (1 − 0,35) = R$ 69,23. Se você aplicasse os mesmos 20% sobre o custo (R$ 54), depois de pagar 15% de despesas sobre a venda sobraria menos de R$ 1 por peça: margem de 1,7%, não de 20%.

A diferença entre margem e markup (e por que os dois números não são a mesma coisa) está explicada no guia de como calcular o preço de venda, que vale para qualquer produto do varejo. Aqui, o que importa gravar: margem se calcula sobre o preço, markup se aplica sobre o custo, e quem confunde os dois vende no vermelho achando que lucra.

Calcule o preço das suas peças agora

Use a calculadora abaixo com uma peça real da sua loja: informe o custo real (etapa 1), as despesas sobre a venda (etapa 2) e a margem que você quer, e veja o preço sugerido pelo markup divisor.

Abrir a calculadora em página própria

Etapa 4: ajuste pelo mercado e pela categoria

A fórmula dá o preço que fecha a sua conta; o mercado diz se esse preço para em pé. Pesquise as lojas do seu público (não a internet inteira: a cliente da sua loja de bairro não compara com marketplace) e posicione cada categoria: básicas perto do mercado para trazer fluxo, peças de coleção e exclusivas com margem cheia, acessórios com markup alto para puxar o tíquete. Se o preço de fórmula ficou acima do mercado numa categoria de comparação fácil, o caminho não é cortar margem no grito: é negociar custo com o fornecedor ou aceitar margem menor ali e compensar no mix.

Exemplo: a mesma conta em quatro peças da arara

Imagine uma loja de bairro com despesas de venda de 15% (imposto, cartão e comissão) e quatro peças de custo real diferente. A margem da tabela é a que sobra depois dessas despesas, para pagar aluguel, salário e o lucro, e ela muda por categoria. Os números são de exemplo, redondos de propósito; troque pelos seus na calculadora acima.

Peça (exemplo)Custo realMargem desejadaPreço pelo markup divisorPreço mínimo (liquidação)
Camiseta básica, giro rápidoR$ 25,0035%R$ 50,00 (2,0× o custo)R$ 29,41
Calça jeans, giro médioR$ 60,0040%R$ 133,33 (2,2× o custo)R$ 70,59
Vestido de coleçãoR$ 90,0045%R$ 225,00 (2,5× o custo)R$ 105,88
Cinto (acessório)R$ 12,0055%R$ 40,00 (3,3× o custo)R$ 14,12
Preço = custo real ÷ (1 − (15% + margem)). Preço mínimo = custo real ÷ 0,85, o ponto em que a venda só se paga.

Repare que o "dobrar" só funciona na camiseta, que o cliente compara em qualquer loja e aceita margem menor. O cinto, que ninguém pesquisa antes de comprar, carrega 3,3 vezes o custo e sustenta a média. E a coluna do preço mínimo é o número que vai para a etiqueta de liquidação, nunca abaixo dele.

Etapa 5: defina o preço mínimo antes da liquidação

Roupa tem calendário: o que não vendeu na estação vira liquidação, e liquidação sem piso vira prejuízo. Antes de anunciar o desconto, calcule o preço mínimo de cada peça: o valor que cobre o custo real mais as despesas da venda, com lucro zero. Abaixo dele, cada peça vendida tira dinheiro do caixa (às vezes vale a pena para liberar capital e espaço, mas isso tem que ser decisão consciente, não surpresa). No exemplo da blusa de custo R$ 45 com 15% de despesas de venda, o mínimo é 45 ÷ 0,85 = R$ 52,94: qualquer preço acima disso ainda deixa alguma contribuição.

Etapa 6: precifique a coleção inteira com a planilha

Fazer essa conta peça a peça na cabeça não escala: uma compra de coleção chega com dezenas de referências de custos diferentes. Baixe a planilha gratuita abaixo: você lança as peças com custo, frete, despesas de venda e margem desejada, e ela devolve o preço sugerido e o preço mínimo de liquidação de cada referência, além da margem real do preço que você praticar.

Os 4 erros que mais derrubam a margem da loja de roupas

  • Precificar sobre o valor da nota, ignorando frete, perda e embalagem: a margem nasce menor do que o planejado.
  • Aplicar o markup sobre o custo em vez de usar o divisor: imposto e cartão comem a margem por dentro.
  • Usar um markup único para a loja inteira: básica, coleção e acessório têm giro e concorrência diferentes.
  • Liquidar sem preço mínimo: o desconto que limpa a arara pode estar pagando para o cliente levar.

Nada disso funciona sem saber o que vende e o que encalha. Precificação e controle de estoque andam juntos, porque é o giro por grade (tamanho e cor) que diz onde a margem pode subir e onde a liquidação precisa começar cedo.

Quem vende moda encontra esse controle por grade no sistema para loja de roupas e na página do sistema para moda e vestuário. Para dados de mercado do setor, o Sebrae publica estudos de custo e preço de venda no comércio.

Perguntas frequentes sobre precificação de roupas

Quanto cobrar em uma roupa comprada para revenda?

Calcule o custo real da peça (nota + frete + perda), some as despesas que incidem sobre a venda (imposto, cartão, comissão) e aplique o markup divisor com a margem desejada: preço = custo ÷ (1 − (despesas% + margem%) ÷ 100). Na prática, o resultado costuma ficar entre 2 e 3 vezes o custo da peça.

O que é markup 2.0 em roupas?

É vender a peça pelo dobro do custo: uma blusa que custou R$ 40 vai para a etiqueta por R$ 80. É um ponto de partida comum no varejo de moda, mas só fecha a conta se as suas despesas de venda e custos fixos couberem dentro dessa diferença. Por isso a conta correta parte do custo real e usa o markup divisor.

Qual a margem de lucro ideal para loja de roupas?

Como referência de mercado, margem líquida entre 10% e 20% sobre o preço de venda é considerada saudável no varejo de moda. Categorias diferentes trabalham margens diferentes: básicas giram com margem menor, coleção e acessórios sustentam margens maiores. O essencial é medir a margem real por peça, não só a média da loja.

Como precificar roupas para liquidação?

Defina antes o preço mínimo de cada peça: custo real dividido por (1 − despesas de venda). Esse é o valor de lucro zero. A liquidação pode escalonar descontos (10%, 30%, 50%) desde que respeite esse piso; abaixo dele, a venda tira dinheiro do caixa e precisa ser uma decisão consciente de liberar capital.

Preciso de sistema para precificar roupas?

Para calcular o preço de uma peça, basta a fórmula e uma calculadora. Para manter a precificação viva na loja inteira, um sistema ajuda porque guarda o custo real de cada compra, mostra a margem por produto e por grade e aponta o que está encalhando antes da estação virar.

Precificar roupas é uma conta simples repetida com disciplina: custo real, despesas dentro da fórmula, margem por categoria e piso de liquidação. Quem faz essa conta com um sistema de gestão que registra custo e margem automaticamente sai na frente: enquanto a concorrência dobra a nota e torce, você sabe exatamente quanto cada peça deixa no caixa.

Tags:PrecificaçãoModa e VestuárioMargem de LucroGestão
Compartilhar