Financeiro

Ponto de equilíbrio da loja: quanto vender para empatar

Quanto a sua loja precisa vender por mês e por dia para pagar os custos fixos sai de uma conta curta, feita com os números do seu caixa.

Equipe VendaSimples 5 min de leitura Atualizado em 20 de outubro de 2026
Dona de loja calculando o ponto de equilíbrio do negócio
Neste artigo

Fim do mês, o caixa fechou todo dia, e mesmo assim faltou dinheiro para o aluguel. O ponto de equilíbrio é o faturamento a partir do qual a loja para de perder. Abaixo dele, cada dia aberto custa; acima, cada venda deixa lucro. A conta usa dois números que você já tem e vira uma meta diária para olhar no fechamento do caixa.

Antes da conta: custo fixo e margem de contribuição

O primeiro número é o custo fixo mensal, tudo que a loja paga vendendo ou não. Entram aluguel, salários e encargos, energia, internet, contador, sistema e o seu pró-labore.

O segundo é a margem de contribuição: de cada R$ 100 vendidos, o que sobra depois de pagar a mercadoria, o imposto sobre a venda e a taxa de cartão. Digamos que um produto sai por R$ 100, com R$ 50 de mercadoria, R$ 4 de imposto e R$ 4 de cartão. Sobram R$ 42, e a margem de contribuição é de 42%.

Margem de contribuição não é lucro

Ela é o que sobra da venda antes dos custos fixos. Lucro é o que sobra depois. A loja pode ter margem alta e dar prejuízo, se o faturamento não cobre o fixo. É isso que a conta do empate mostra.

A fórmula: custo fixo dividido pela margem

O faturamento de empate é o custo fixo dividido pela margem de contribuição em percentual: custos fixos ÷ (margem ÷ 100). Nesse faturamento a sobra de todas as vendas paga exatamente o fixo e o resultado é zero. Cada real vendido acima dele deixa a margem inteira como lucro operacional.

Calcule o empate da sua loja em 4 passos

  1. 1Some os custos fixos do mês, incluindo o pró-labore e o que a loja paga vendendo ou não.
  2. 2Ache a margem de contribuição média. Do faturamento de um mês típico, tire o custo das mercadorias vendidas, os impostos sobre venda e as taxas de cartão, e divida a sobra pelo faturamento.
  3. 3Divida o fixo pela margem: fixos ÷ (margem ÷ 100). É o faturamento de empate do mês.
  4. 4Quebre em meta diária, dividindo pelos dias abertos, e compare com a venda real de cada dia no fechamento.

Um exemplo: a loja de bairro tem R$ 9.000 de custos fixos e margem de contribuição média de 45%. A conta dá 9.000 ÷ 0,45 = R$ 20.000 por mês. Abrindo 25 dias, a meta é R$ 800 por dia. Com ticket médio de R$ 80, são 10 vendas por dia só para empatar, e o lucro começa na décima primeira.

Calculadora: o número da sua loja

Coloque os números da sua loja e simule cenários. Veja o que acontece com a meta diária se o aluguel subir, se a margem cair 5 pontos numa promoção ou se você abrir aos domingos.

Abrir a calculadora em página própria

Meu faturamento está abaixo do equilíbrio. E agora?

O empate tem três alavancas, e a ordem importa. A primeira é a margem: antes de cortar custo, confira se o preço cobre o custo real de cada produto, com frete, imposto e perda. Muita loja trabalha com margem menor do que imagina e só descobre nessa conta.

A segunda é o custo fixo. Renegociar aluguel e cortar o que não gera venda derruba o número direto na fórmula. A terceira é o volume, vendendo mais com a mesma estrutura, por ticket médio maior ou por mais clientes na porta.

Onde encontrar esses números no dia a dia

A conta é simples; difícil é ter os números confiáveis. O custo fixo sai do fluxo de caixa organizado por categoria. Se você ainda não tem esse número, a planilha abaixo soma os custos fixos por grupo, divide os anuais por 12 e mostra o custo por dia e por venda.

A margem de contribuição exige saber o custo de cada mercadoria vendida, e isso só funciona com estoque e vendas no mesmo lugar. Num sistema de gestão que junta caixa, estoque e financeiro, ela sai pronta do relatório em vez de estimada de memória.

Para separar bem o que é custo e o que é preço, o Sebrae tem um material sobre custos e preço de venda no comércio. E lembre que o empate é uma fotografia: muda quando o aluguel sobe, quando a margem cai numa promoção ou quando você contrata.

Recalcule a cada mudança dessas. O empate diz quanto vender; o capital de giro diz quanto dinheiro a loja precisa ter para a operação girar até as vendas entrarem.

Perguntas frequentes

O pró-labore entra nos custos fixos?

Entra. Se a loja só empata sem pagar o seu pró-labore, ela está empatando às custas do seu trabalho. Custo de mercadoria, imposto sobre venda e taxa de cartão ficam fora, porque já saíram na margem.

De quanto em quanto tempo refazer a conta?

Sempre que um custo fixo mudar, como aluguel ou contratação, e sempre que a margem mudar com promoção ou troca de fornecedor. Fora isso, rever a cada trimestre evita meta diária velha.

Como saber minha margem de contribuição média?

Do faturamento de um mês típico, tire o custo das mercadorias vendidas, os impostos sobre a venda e as taxas de cartão, e divida a sobra pelo faturamento. Com custo por produto cadastrado no sistema, o número sai pronto no relatório de margem.

Loja acima do empate pode ficar sem dinheiro?

Pode. Ela tem lucro no papel, mas se compra estoque à vista e vende a prazo no cartão, o dinheiro chega depois das contas. É o capital de giro que cobre esse intervalo.

Com o seu número de empate na mão, a terça fraca deixa de ser impressão e vira um valor contra a meta do dia. Faça a conta hoje, divida pelos dias abertos e cole a meta diária ao lado do caixa. Com cada venda e custo registrados num sistema, essa conta passa a se atualizar sozinha.

Tags:Ponto de EquilíbrioFinanceiroPrecificaçãoGestão
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